quarta-feira, outubro 17, 2007

OLHOS, ESPELHOS, JANELAS




OLHOS , ESPELHOS, JANELAS
Carmen Fossari


Dizem os sábios
entre suas sentenças imprescindíveis
Serem os olhos a janela da alma,
O Brilho
Ou o lado opaco
O cintilar ou a fugidia rota,
de não pontuar a nada,
nem de pessoas,
nem de animais,
nem da natureza,
nem de todas as coisas.

Dia outro, olhei ao espelho
em busca de minha alma,
estavam alí
cores refratadas,
um pequeno vitral
dançando peças ,
num mosaico inacabado de costura

Por vezes estive desatenta.
Depois, abriu-se em poesia,
minha alma, não dos olhos meus
a fixar a busca no espelho da imagem,
Olhei meus olhos por
TUAS JANELAS ABERTAS.

Meu perfil alí se desenhou,
meu retrato revelou-se na alma
da imagem ao percorrer estas,
as ruas de teus labirintos,
em poesia estando.

Como é infinita a estrada que caminhas.
Perspectiva, no ponto de fuga,é o ponto
intocável da partida a não se avistar mais.

Olhos abertos,alma beijando o corpo
o espelho mergulha seu reflexo
o avistar de outras manhãs
desenhados ao sabor da geometria do ventos

se irá longe, se
formos dentro de nosso ser,
tocaremos na borda da lua
se o olhar casar o outro olhar
amorosamente.

6 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

Reflexo

Olhei-me ao espelho
e não me reconheci.
Olhos nos olhos,
tentava compreender
aquela imagem
tão desfocada, irreal...
Assustei-me.
Tentei fugir de mim.
Olhei-me como me vêem
e era, de novo, eu.

joão jacinto


O seu belo poema fez-me lembrar Reflexo.
Formas diferentes de olhar ao espelho e ver a alma.

Parabéns, Carmen, pelo seu olhar!

Bj

jj

carmen fossari disse...

JOÃO ,
O poema nasceu desde um comentário que fiz em seu blog, de uma Poesia sua JANELAS, que tb já me parece nascera de outro poema, que por sua vez nascera de outro, e já ne sei mais o fio da meada, sei o fio da poesia que tecemos, letra a letra, vogal a vogal, e nos versos ainda que nascidos de inspiração, afloram olhares , momentos, o que adiciona , o que subtrai, o que afirma, o que nega, o que espera, o que cansou, é um mundo lírico , que tanto o Menino do Montijo quanto a Carmen habitam, e o repartem em fatias que acabam se multiplicando milagrasoamente em outros versos. Fértil inspiração mútua, MUSEAR, não de Museu, sim de MU S(o/a) ICA.
Mas tenho a consciencia que embora o estado lírico mútuo,a produção do MENINO DO MONTIJO , resulta em excelentes poemas, enquanto os de Carmen, inumeras vezes se limitam ao registro do lírico.O meu olhar é sempre mais sonhador, diria até romantico, ao seu que aprofunda e dá a dimensão humana do existir, por isto sim, sois Poeta.

Que a VIDA É SONHO , NADA MAIS....
bjs

carmen

joão jacinto & poemas disse...

Este diálogo poético,
feliz e criativo,
em que cada um expressa
com convicção o que sente
e o que gostaria de ver.
E o sonho sobrevoa
a linguagem e os gestos.
O sonho que queremos seja real, sem permitirmos que o seja.
O sonho que nos faz acordar
todos os dias.

Grato por tanta poesia!

Bj,

jj

carmen fossari disse...

João Jacinto e Menino do Montijo

MEU D.EUS....(tua expressão)

ESTAS ASAS DE SONHOS EM PAVABRAS LAVRADAS
ATADAS DE SAL E AGUA
MEL E FLOR
VISCERAS E CORAÇAO
FLORESCEMOS DA PALAVRA DITA
MORREMOS NA PALAVRA OCLUSA
FERIMOS AS ARESTAS QUE NÃO
ENXERGAMOS
E SARAMOS AS CHAGAS NO incontido
Vôo DA CRIAÇÃO
QUE CHEGA DEVARINHO
CAMINHANDO NO ATALHO DA NOITE
PARA BEIJAR NOSSA FACE EM PROMESSAS
DE AMANHECERES.
---
JOÃO,
TODAS AS PALAVRAS SÃO NENHUMA
INTRADUZÍVEL ESTA CONSCIENCIA NA
EPIDERME DE MEU CORPOEMA QUE TE ESPREITA.

BJS

CARMEN

joão jacinto & poemas disse...

Que vejo eu?
Tão pouco!
Vejo somente o que (re)conheço
e pouco mais.
Vejo até ao horizonte
e quase nada.
Vejo e não vejo;
é o hábito de olhar.
Vejo tudo por onde passo
e lembro-me tão pouco
do que não me cegou.

Vejo através das palavras
nitidamente o infinito.

joão jacinto

Todas as palavras são nenhuma...
Tão belo este pensamento; profundo!

Como sempre, Carmen, a poeta!

bj

jj

Fernanda e Poemas disse...

Olá Carmem, o seu poema deleitou a minha alma. Que os Deuses, a acompanhem sempre.
Adorei!!!!!!!!!!!
Beijinhos.
Fernandinha