terça-feira, agosto 14, 2007

outro inverno




Outro Inverno.

carmenluciafossari

Na ilha os dias pareciam
Pequenas eternidades de frio
Era ainda mais o frio na alma
Da palavra perdida
Proferida
Dita, não dita, maldita.
Ferida aberta de gelo e pele
Pele de vogais costurando
Sílabas congeladas

Adentrou ao quarto
Queria ser como os ursos
Ter pele além da pele
E dormir profundo
Enquanto durasse o frio
Enregelou os olhos
A paisagem que almejava encontrar
Nos sonhos, traria o amarelo intenso,
De Van Gogh
E chegariam acompanhadas das conjugações em ar
Ar, arar, amar, falar, escutar.
Lembrou do silêncio,
Havia musica na casa
Mas não ouvia além do silencio
O silencio e o frio eram irmãos
De sua alma no inverno lento, tão lento.
Como almejado em profundidade fosse tudo
Passado, que tanto queria,
A primavera haveria de trazer pássaros cantando sobre o beiral
E das floreiras, ela sabia, iria colher seu buquê de poemas
Que as flores sempre florescem ao amanhecer


2 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

O Inverno que se carrega na alma,
é dos mais frios e silenciosos.
Nem que o Sol estivesse aceso
vinte e quatro horas,
iluminaria qualquer caminho
perdido de florescer.


Quando o Inverno chega à minha alma,
fica tão escuro, que nem consigo me ver.

joão jacinto


Outro belo poema, Carmen!
Há sempre uma Primavera à nossa espera, presa num qualquer beiral!

bj

jj

carmen fossari disse...

.. que lindooooooooooooooo
:
QUALQUER CAMINHO
PERDIDO DE FLORESCER...

João que maravilhoso poema, me tira o folego ler, de tanta profundidade em versos impares, e na magia do poema , são os versos tão pares de minha alma que os veste como
roupa própria. Abrigo-me neste versos e me aqueço ao rigoroso inverno e tenho ao corpo sol aao meio da estação do frio.
OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

BEIJOSSSSS

carmen