sexta-feira, junho 15, 2007

AS CORES


AS CORES

Carmen Lúcia Fossari

Pintei eu mesma minha casa
Lilás tornou o quarto diáfano
Mas a poltrona vermelha
A um canto postada
Lembrou-me das cores
Usadas em medievais figurinos
Reconstituídos no hoje
Depois, a saber, o vermelho,
Penso estar refletindo a
Rara lua vermelha.
Em fases de meu coração
Que a deixa nascer vez e outra
Dos olhos que espreitam
O amor, um planeta
Que me habita

Pintei de rosa outro quarto
De computadores e digitais presenças
Que as máquinas, chegam cinzas.
E apenas ao serem janelas
Do mundo dentro de paredes
Recebem em imagens o mundo
Repintado na criação humana
Convidando com insistência,
Ir lá fora , na tridimensional realidade.


A pintar ainda estou outro espaço,
A cor que me lembra
Flores dos pessegueiros
Amo as flores dos frutos,
Quando em promessa afloram
Exalam o perfume que antecede
Ao doce fruto em promessa.

E as arvores repletas de flores
Uma pintura impactante
Da artista suprema
Uma Madame simpática
De alcunha rara
Eis a Dona Natureza
Pois que consegue deixar as flores
Por um segundo,
Nas arvores de raízes longas,
E nas flores de caules frágeis.

Assim emprestando as cores,
Retiradas da Senhora Natureza,
Faço de conta um segundo
Que o prédio onde habito,
Não fosse de concreto,
Repleto de andares,
Um sobreposto aos outros.
Que fosse um descampado,
De flores aos frutos,
E, de jardins das flores silvestres.
E eu ali viveria, com se fosse
Dos pássaros a liberdade.
Voar sobre árvores, rios, campos e mar,
E já nada precisaria pintar, apenas cantar.


Ilha 16 de Junho de MMVVII



3 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

ESte belo e colorido poema, já não me é virgem ao olhar, à mente, ao coração...Esta será a terceira ou a quarta vez que o leio; todo este enredo de cores, pinceladas, construções, urbanismo, flores, frutos, natureza..., atrai o meu querer fantasista, o meu desejo escapista...

Parabéns, à poeta Carmen!

joão jacinto

carmen fossari disse...

João,
Entrasses mil vezes no Armazém,mil vezes sentiria o mesmo fremor,para que os veios e paredes desta construção fossem capapazes não me esgotarem em espanto e prazer, de o saber vindo.Benvindo, que fica sempre o rastro, dos astros que bem os conheces, e os repartes em palavras. Obrigadaaaaaaa

bj

Carmen Lúcia

ilha


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Domphilos disse...

Cara Carmem
Teria um "trem das cores" vontade me passar por este cenário de cores e cheiros galopantes, digo que teria porque seria um sinal da completude "as flores dos pessegueiros" de "um azul que já não há" e que enchem o paladar e a audição daqueles que se inclinam à escuta.
Um bem haja

Dom