sexta-feira, março 16, 2007

JARDIM

Jardim


carmenluciafossari

Hoje ,mesmo tarde da noite
Decidi :hei de semear um jardim
Me vejo do dia nascido
Em terras as mãos mergulhadas
Semear pés de roseiras.

As roseiras precisam do sol
Mas já suas flores nascidas
As folhas deverão sombrear
A delicadeza das pétalas


Quero cada dia molhar a terra
Umificar
Para as sementes a cama
Do arado , a terra revolvida.

Que as minhas roseiras cresçam
Varem a terra .
Terei cuidado com os espinhos
Mas cada dia de rosa
Na minha espera ,de a ver florir
Será um dia a menos
De espera


Pois que partistes
Pois que precisastes sair
Pois que teu caminho não sei
Pois que ficastes tão longe
Que na espera da rosa
Vou depositar o tempo

O tempo de te procurar
O tempo de não te rever
O tempo que não te conheço
O tempo que te vou encontrar
Mas já levarei aos abraços
Um ramalhete de rosas
Tão púrpuras como tua boca
Pétalas a pele dos lábios
Viçosas flores eu sei
Já penso colher amanhã
Mas antes preciso
Preparar o jardim

E como avança a madrugada
Páro agora o poema
Pra despertar bem cedinho
A preparar meu jardim
A espreitar tua volta.

ILHA 16 março MMII


Para o Poeta Ausente

.

3 comentários:

Anônimo disse...

No parapeito da minha janela
plantei três bolbos,
em bohemia vaso cristal
afogados nas lágrimas
da minhas efusivas alegrias
e dos meus não consentidos
e sufocados dissabores,
de Jacinto.
Estão separados pela vidraça
do dia e da noite.
Sem vento
nem chuva...
Frágeis
flores de estufa.

Basta-lhes
espreitar
o mundo
e crescer
num primeiro andar.

bj,

joão jacinto

Anônimo disse...

Serei o sol primaveril
e nunca um pulgão-verde!

joão jacinto

Tudo de bom
hoje
e sempre!

bj,
jj

carmen fossari disse...

Que imagens :"em bohemia, vaso cristal" lemos tanto a marca do cristal como a noturna bohemia.

Outra imagem: "separados pela vidraça do dia e da noite",aqui tranparência da janela ,ao dizeres que separa,conota ao contrário ,a unicidade dos contrários momentos ,dia e noite, vividos no mesmo tom da emoção do que se esvai.
E, se são frágeis,resolvem ao final do poema
"estarem " na estufa,local onde a vida é germinada ao crescimento
"num primeiro" andar.
O poeta caminha com segurança, saído da "estufa" da criatividade,parabéns, lindissimo poema!!
Bj
Cl