sexta-feira, abril 24, 2009

RANGENDO


RANGENDO



Carmen L. Fossari

As portas têm dobradiças
Para içarem à parede
Seus seres inertes de coisas
Que elas são, embora também moventes
Ao abrirem e fecharem.
Fechaduras para
Darem segurança
E afastarem os perigos,
Das ruas, das estradas,
De todos os caminhos
Que atravessam ao
Íntimo estar.
Chaves nas mãos,
São volteadas ora para abrirem
Ora para dividirem um espaço
Como uma caixa com janelas
Onde pessoas ali
Podem permanecer,
E os outros, outras afora ficarem
Depois que trancada a porta.
Portas não são muros.
Os muros cercam espaços abertos
Isolam usualmente e garantem a posse
Que glória da nossa civilização:
Ser donatário!!!
Porém os muros não
Resolvem, revoltam.
As chaves se necessárias
Para um razoável
Ordenamento do caos
São terrificantes quando
Elas se instauram ao fórum íntimo
Do preconceito, do caminho até o outro interrompido
Na intolerância ou
Na insensatez, da uniteralidade do pensamento.
A este sim, clamam meus versos:
Pensamentos
Voem da absoluta certeza, ao mais distante
Das armadilhas da mente que as emoções as fabricam,
Em séries múltiplas e previsíveis
Que para estas Portas, nem o tempo será
Digerível.
Ao sabor amargo da clarividência
Pairando antes da dúvida,
Estão as cerradas trancas
Forjando clausuras
E hábeis atalhos,
Incapazes de atravessarem
Os umbrais da travessia do caos
Bebais ao cálice de luz
As doses vinhais antes dos portais
Fecharem sobre todos os teus sonhos.

Um comentário:

Lice Soares disse...

Nossa, muito bom! Parabéns.