quinta-feira, abril 24, 2008

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS: 25 DE ABRIL 1974




REVOLUÇÃO DOS CRAVOS: 25 DE ABRIL 1974

carmen l. fossari

SOMOS FLORES
SOMOS CRAVOS
SOMOS SANGUE DE NÃO MAIS
FOMOS ARMA
ARMADURAS
DITADURA
ATANDO AIS
MATANDO SONHOS
ABDUZINDO NA ALMA LUSA
O ORGULHO QUINHENTISTA
DOS DESBRAVIOS
AOS MARES TANTOS
HUMILHADOS HUMILHAMOS
E FINCAMOS SALAZARES
AO SEIO DA TERRA LIVRE
AOS DESCALÇOS PÉS DO CAMPO
PISAMOS DE BOTINAS
E PÓLVORA
POR MUITO TEMPO SENHORES,
POR MUITO TEMPO

" Quem vive?
- Portugal, Portugal, Portugal!
- Quem manda?
- Salazar, Salazar, Salazar
! "


DEFENDEMOS O INDEFENSÁVEL
COM MEDO A CHAFURDAR
FORAM MÃES CHORANDO TANTO
SILENCIADOS FADOS OUTROS
NO CAMPO O ARADO
INSPIRAVA AS CERCAS DE FARPADO ARAME
QUE A VONTADE UNA SE IMPUNHA
BAIONETAS SEGURÁVAMOS AO ANTEPARO
DE SUA SEDE DE MANDO
MADATÁRIO
DONATÁRIO
OS RIOS ESCONDERAM
CHOROS, O PASSO RETIDO
O SORRISO QUE NÃO NASCEU
QUE O SOL PENSÁVAMOS DETER.
MAS A VONTADE UNA
DOS CAMPOS, CIDADES
E VILAS TEMPLÁRIAS
FORJOU NOSSAS ARMAS
NÃO MAIS!

CRAVOS
VERMELHOS CRAVOS PLANTAMOS
NAS PONTAS DAS BAIONETAS
A MULTIDÃO ACERCOU-NOS
A TERNURA BANHOU O TEJO
NAS RUAS CORRIA O VERMELHO
DE SANGUE NÃO MAIS
O DAS FLORES QUE O TEMPO ADVINDO
A LIBERDADE COLHEMOS
AOS 25 DIAS DO MÊS DE ABRIL
A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

QUE OPRESSÃO NÃO MAIS VESTIMOS
ALÉM DAS FARDAS IMPOSTAS
OS LIMIARES ARMADOS:
NUNCA AO POVO APONTAR!

EIS A LIÇÃO QUE APREENDEMOS
EM LIBERTAR NOSSOS MEDOS.

2 comentários:

joão m. jacinto & poemas disse...

Abril é poesia
É fonte de esperança
É luz de liberdade
É um Tejo que me desagua
De prazer
Em águas de fraternidade
Abril
Somos nós
Espalhados pelo mundo
Como cravos
Rubros
Floridas palavras
Em português.
Abril
Foi ontem
Mas poderá
Ser mais logo,
outra vez!...

joão m. jacinto


Parabéns, pelas palavras "Abril"!
Belo poema, em "Abril"!


Abraços de "Abril",


jmj

carmen fossari disse...

Obrigada Poeta,abris, versos vermelhos de esperanças , com este poema.
Bj
Carmen