sábado, abril 19, 2008

Bóreas


Bóreas ou Como Nasceu a Aurora Boreal

carmen l. fossari


Reconheceu nortear o vento
Essência de transmutar.
Na beira do lago sentou-se
Sua barba longa e branca
Sinalizava experiência
A capa que o envolvia
Vez e outra tinha poderes
Leve voar.
Caminho em seu caminho
Era ele agora veloz e frio
Forte como o voar
Sem previsão de pouso
Bóreas enternecia-se
Ali sentado ao meio
De gelo, brancos
Em espreita
Uma vez mais o
Clarear do dia
Como a explosão
De fractais raios solares.
A chegada de esperar tanto
Prolongou-se ao pensamento
Entreteve-se.
Lembrou ainda,
Fazia tempo de passado tempo,
Que a mãe era cor e movimento
Dança e compreensão
Beijava igualmente os filhos
Zéfiro e Bóreas
Com Zéfiro em suave estar
Creditava as brisas matinais
Com Bóreas o sabia de paternal herança
Todos os ventos fortes
Todos os astros
Astreu, o pai, quem acendia e comandava
Os segredos que a noite expõe
Giravam entre espécies
De seu comando
Cometas, estrelas, planetas
As galáxias.
Era extenso o reino de seu pai Astreu
Então, Bóreas parava de pensar
E seguia os maternos passos
Valsar ao ritmo das cores
Bordar os amanheceres
Aquarelar em seu corpo
A própria aurora
Bóreas em auxílio de tal tarefa
Em seu caminho segurou o vento norte
Fez-se aportar
Nas cores rebordadas com
Fios de arco íris por Eos
A mãe
Beijou em ventania forte as cores
Que segurava ela entre as mãos
E espalhou ao vento seu
Pintando o céu
Nascia ali a Aurora Boreal
Fazendo com que a luz de todos os astros de Astreu
Fossem ao encontro de Bóreas
E ali sentados sobre o gelo
Vislumbrassem ao
Amanhecer um pouco da magia
Que eles mesmos emprestavam ao planeta Terra
Nas noites de sonhos e estrelas.

.

2 comentários:

joão m. jacinto & poemas disse...

Sitio

Difícil crescer
num sítio pequeno,
de muros bem altos
e opacos,
cuidadosamente
preservados,
convenientemente
sombrios…


Difícil saber
se o instinto
que pede liberdade
não sofre
de pretensiosismo rebelde,
de coragem imprudente,
de inferioridade compensada,
de habilitada insubmissão,
e possa perigar
as estruturas
da maioria acomodada
ao que sempre
foi suficiente
e amargo…

O que me está gravado na alma,
o que me codifica na carne
e o que foi me dito por Deus,
em segredo ao ouvido,
permite-me provocar,
sem angustias,
quem se julga dono da natureza,
e possuidor da chave do céu,
e revolucionar
sem arrogância
os regímenes de pobreza…

Quero crescer;
estar à minha altura;
poder tão facilmente
seguir, de bruços,
o carreiro das formigas
como pôr-me em bicos de pés
e mudar o sítio das estrelas.

Este ar rarefeito
envenena-me os sentidos;
preciso de correntes de ar!


joão m. jacinto


Parabéns, Carmen, pelo seu belo poema!

bj,


jj

carmen fossari disse...

BELO O SÍTIO, EM VERSOS
COMO A GAIoLA DOURADA ONDE O PÁSSARO ESPREIRA A LIBERDDE ENTRE
O RELUZENTE OURO E A PORTA TRANCADA, MAS AS PORTAS DOS HUMANOS SERES NASCEM DESDE SUA ALMA, CONDICIONADA AS VEZES PELAS CULTURAIS gEOGRAFIAS, OUTRAS PELO CONTROVERSO MUNDO ÍNTIMO a DICOTOMIA QUE SE PRETENDE,O SER HUMANO, SOLUCIONAR ENTRE O SONHO E A REALIDADE , ENTRE O SER E O ESTAR..
AO REVERSO DO VERSO, UMA RAJADA DE RELEXÃO NOS TRAZ O SEU POEMA JOÃO JACINTO, BELO PENSAR VERSEJADO

BJ
carmen