sábado, novembro 17, 2007

DEPOIS DAS CORDILHEIRAS



DEPOIS DA CORDILHEIRAS

carmenlúciafossari



TUA POESIA CHEGA COMO O VENTO
QUE TRAZ MÚSICA DESDE AS CORDILHEIRAS DOS ANDES
COMO O SEGREDO DO MAR DO PACÍFICO
QUE SONHA BEIJAR A PRAIA DO ATLÂNTICO
QUE COSTEIA PORTUGAL E BRASIL.

CHEGAM AS PALAVRAS TUAS
HÁ UM MOMENTO DE MAGIA
ONDE AINDA EM RESPIROS E POROS ,
DE EU SER EM OUTRA A FALAR E SENTIR
EM DUAS COMPARTIDAS DE EMOÇÕES
EM CARMEN A SERVIR CLARICE
E DE CLARICE A BEBER CARMEN
A FONTE DOS ENIGMAS DA CRIAÇÃO.

AO PEQUENO CAOS DO MOMENTO DE SER E NÃO SER
AO SEGUNDO DE TENTAR SER OUTRA
E SENDO EM EU MESMA MEUS MAIS ÍNTIMOS SERES,
DE QUERER SER E ESTAR : UNICIDADE

E NESTE ENIGMA DE VIDA E ARTE
PULSAM AS PALAVRAS QUE TE LEIO.
ME ENLEIO E ME ELEVO AO RELÊVO DAS CODILHIRAS
ONDE CULMINAM OS SEGREDOS DOS VENTOS
E DA NEVE.
E ONDE O SOL SE DEITA,
A DORMIR SOBRE OS CUMES DE SAL E MAR.


A VIDA É TECIDA NA ARTE
A NOITE AO TEATRO SOU OUTRA, NÃO EU
MAS DE MINHAS VERDADES OCULTAS NELA
A PERSONAGEM SE DESNUDAM,
ESTOU VULNERÁVEL E ME ASSOMAM
OUTRAS DE PURA MENTIRA DOMESTICADA
AOS DRAMAS ESCRITOS ,
O TEATRO QUER A PERSONAGEM
RESGATE DE OUTRO SER,
FATIAS,BIOGRAFIA
A CLARICE NÃO SOU
ACLARA-ME DELA A AMPLIDÃO.

EM MINHA GRAFIA
LEIO DE TUA POESIA,
SIM , A TUA PRESENTE POESIA, VIVA
VISCERÁL,QUE NINGUÉM DIRIA
QUE ESCRITA POR UM MENINO,
NASCIDO EM MONTIJO.

II

CHILE QUE TANTO AMO ,POR HUIDOBRO,
NERUDA,MISTRAL,ALLENDE ,LA NEGRA VIOLETA PARRA
E A REDE DE AFETOS EM AMIZADE BORDADA A NEVE
E SOL, CENA E APLAUSO, ENCONTRO E ETERNIDADES
RAÍZES ADVINDAS DESDE OS VENTOS DE ATACAMA
O DESERTO
HOJE O DESERTO É ESQUECIMENTO.

TODOS OS DIAS EM TE LER E SABER-TE
É TÃO AMPLO COMO A VASTIDÃO DO DESERTO
INFINDO, ONDE MINHA FINITUDE
ALCANÇA O SOL DE TUA AUSÊNCIA
TUA PRESENÇA DE QUERER

É TÃO VIVA
COMO O DEGELO DOS CUMES DAS CORDILHEIRAS
DESCENDO EM CASACATAS ,
PARA ALIMENTAREM DE ÁGUA O RIO MAPOCHO.

III

VEJO AINDA AS ÁGUAS DO PACÍFICO
SÃO BELAS,TORMENTOSAS,MAS MEUS OLHOS
LÊEM TEUS VERSOS,
0LHO DO OUTRO LADO DA CORDILHEIRA
DO OUTRO LADO DO TEATRO,
O ATLÂNTICO REBORDA
AS BORDAS ,AS CORDAS
DA EMBARCAÇÃO ,
ATRELAM OS SONHOS,
E SINGRO DE TE LER
NA GEOGRAFIA ENIGMÁTICA DE MEU SER.
PRESENÇA E SAUDADES, SE DE TI,
ENTÃO DE EU MESMA.


santiago do chile,outubro 2007

4 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

Estimada amiga Carmen

Agradeço-lhe tão belo poema!
Sinto-me honrado, por me dedicar tão delicadas e sensíveis palavras!

Nascido em Montijo,
descobri cedo
sonhar o mundo.
Não me sinto poeta
das palavras,
mas fotógrafo
de comportamentos.

Adapto-me
às novas linguagens
e leio
de vontade,
nunca esquecido
do que foi escrito,
para que aprendesse...

Pássaro-homem
voando
para além de mim,
com o riscado
da gaiola
tatuado na alma
e tanto azul
à minha espera...

Mudo sempre de asas
por cada poema,
que me toque o céu.

joão jacinto




Muita poesia!
bj,
jj

carmen fossari disse...

QUERIDO JOÃO, POETA DE CONFRARIA DE MEU ATO CRIATIVO

A utopia do azul a ultrapassar
os pés ao chão
a dicotomia do pensamento livre
e do que retém, e o que retém detém o que já o sabemos, o que
previmos,mas a vida é também mistério, o inesperado, a rajada de vento, a chuva de verão, o atraso do vôo, o trem que esqueceu de parar na estação, o sol ocluso de nuvens,
mas é ainda a flor que de surpresa amanhece ao nosso olhar
a visita inesperada que nos chega de braços abertos,
a surpresa da festa surpresa,
a alegria dos olhares que conversam
da respiração que se faz pouco de tanto que a emoção saltita
é a inesperada lua cheia, ainda que prevista,
é a gaivota ao lado do mar aonde molho meus pés descalços e livres.
Nestes traçados e inesperados mapas, de biografias que projetamos de pensar ser, o inusitado é a poeisa, é o azul que assim o dizes, e é dela , a poesia, que me desvendo, de eus desconhecidos.
Ao Menino do Montijo, o caminhar de trilhas de palavras, que as percorro, invento atalhos, regresso
ao verso, e já tudo é poesia,
e a vida fica breve e terna
eterna e bela.

Lindo teu poema. Este Homem-pássaro, vejo-o aos céus atravessar aos mares.Os mares todos, onde mergulho minha sede

Parabéns . Bj

carmen

joão jacinto & poemas disse...

Ciclos


A grande roda dentada
move-se
ligada a muitas outras;
e essas
movimentam outras mais...
E todo o mecanismo
parece infindável.
Os ciclos
contam-se
sem erros,
nem interesses...


Criar
é reinventar a vida,
possuir a ilusória chave
que nos abre à imortalidade...
E pelo romantismo do olhar
recriamo-nos
no sonho,
à dimensão
dos nossos profundos desejos,
para entretermos a solidão
e o medo da morte.

Quando eu partir,
nunca me esqueças.


joão jacinto


Grato pelo seu comentário, poeta Carmen!

bj,

jj

carmen fossari disse...

A RODA MOVE
A ESTRUTURA
QUE SÃO MUITAS
MOVEM SEM o SABER PORQUE
PORQUE É DE SUA SINA
O MOVIMENTO ENCADEADO
MOVIMENTO PRISÃO QUE NÃO SABE ONDE COMEÇA
QUE NÃO ALCANÇA OLHAR OUTRO ,QUE O FOSSE MOVIMENTO
NEM OS DENTES DA RODA PENSAM EM DANÇAR
SÃO PARTES DA ESTRUTURAS E FICAM COMO AS INERTES PEDRAS
QUE PARADAS CUMPREM O DESTINO DOS VENTOS
UMAS SE MOVIMENTAM , SAÕ RODAS
OUTRAS SÃO MOVIMENTADAS SÃO PEDRAS
UMAS TEM DENTES SE ENCADEIAM
OUTRA SÃO TANTAS VIRAM CORDILHEIRAS

O OLHAR QUE SOBRE OS CICLOS SE DERRAMA,SÃO DE HUMANOS SERES
DE DESTINO A MORTE TRAÇADA
MAS DE INFINITUDES POSSÍVEIS SE
SOUBEREM CONVIVER COM AS PEDRAS AO CAMINHO
E MOVIMENTAREM-SE EM VEZ E OUTRA EM BUSCA DA DANÇA UM MOVIMENTO
DE CRIAÇÃO.

BELO SEU POEMA EM DUAS PARTESPOSTADO, DIZE-OS BEM DO ATO CRIATIVO, COMO PROMETEU ACORRENTADO, QUE ENSINOU A HUMANIDADE OS SEGREDOS DE NÃO TEMEREM A MORTE :O FOGO SAGRADO(CONHECIMENTO) E ENCHER A VIDA COM AS VÃS ESPERANÇAS-OS CICLOS)
POR ISTO AS PEDRAS E AS RODAS NOS SÃO TÃO ÍNTIMAS.

E TUA VINDA AO ARMAZÉM É SEMPRE ESTA MEMBRANA DE AFETOS TECIDOS ONDE ME SINTO CASULO DO POEMA QUE PAIRA A PRIMAVERA.
bj
carmen