sábado, maio 19, 2007

AMOR E PINTURA

Amor e pintura

Carmenluciafossari


Um dia, com uma paleta
Nas mãos,
A olhar as porções de tinta a óleo
O pincel já mergulhado em terebintina
Na minha frente uma tela
Esticada na madeira ao quadro
O branco da tela e
Um convite imediato.
Deixasse-me em dança e movimentos
As cores para comporem
Um quadro

Queria meu eu um quadro amoroso
Que me dissesse do amor.
Pousou o pincel no tom cor de rosa
Olhei da janela do ateliê,
Que entrara por empréstimo e dádiva
Do pintor que manejava as tintas
E também ao amor com raridade.

E, entre os vidros da janela frontal, avistei as roseiras,
Também por minhas mãos não plantadas.
E afloradas de belezas as rosas vermelhas
Brilharam meu ser de emoção.

E das minhas mãos outra cor
Já no quadro a cor ,rosa apagou-se
E o vermelho dançou sobre a tela
Vibrou como vibra o amor
Em seu leito de beijos e almas
Corpos e estrelas.

E já a olhar o quadro acreditei
Estou a pintar o amor.
Mas, o espinho, que as rosas têm,
Mesmo quando olhadas, podem ferir a sangrar.

E o sangue na tela pintada
Dançava em vermelho com a mesma tinta do amor.
Dançaram então em meu quadro o amor e a dor
Ambos em êxtase e encontro.

Mas meu amor precisava de tela pintada de amor
E, sair, nadar, meu amor em quadro pintado queria,
Ao mar, o azul e amar.
Ao rio da distancia e outra margem chegar.

E ao quadro chegou o azul, infinito.
Trouxe o verde, deixei-o em tinta
Esticada como se prado ali no olhar complacente
Em perspectiva encontrasse a linha do horizonte.
Na pequena tela pintada
Salpiquei dois vultos, em um.

Detalhei corpos, os corpos que se
Hundiam nas tintas, e o vermelho a girar.
No meu quadro de amor, que pensei.

Pintei de verde, que o amor há de ser como,
O campo, onde jorram flores mimosas.
E, deslizam em galopes os amantes
Que o vento, o tempo, tudo é pouco no amor
Que se cumpre.

E de meu quadro olhei ao céu em traço azul de tinta.
Deixei-o, como uma promessa.
Hão de chegarem as mais belas estrelas
Quando o sol se deitar nos corpos que se encontram na madrugada,
E o amor é luz, e a lua caminha na ponta dos pés,
Só pra proteger a magia que o amor é mágico.

O azul, no mesmo tom do céu.
Pintei na base do quadro,
Ali, no traço, trouxe as águas dos rios.
E quis a mesma margem virar
Leito do rio, ao leito do amor,
Que o quero pintar em meu quadro

E das tintas ali a pintar, uma cor, de ausência de cor,
Vem pincelada pela vida, trazer um toque triste.
No quadro que apenas quero-o amoroso,
Esta nuvem ameaça, fica a pairar, mas a pinto,
Num canto do quadro.
E, deixo-a sob as vistas
Que há que se estar atenta, para que o amor
Não se evapore no vento
Não ultrapasse o campo de verdes do ser cada qual uno
Que as águas não afoguem o amor de tanto amor
Logo retorno ao ponto cor de rosa, tão pequeno, onde iniciei meu quadro e já o amplio...
Pois sem a ternura do amor meu quadro não se completa em cores.
O lilás contorna e trago-o a mesclar-se ao vermelho
Que o corpo namora alma no seu duplo amoroso
E termino de pintar o quadro.
Guardo a paleta da vida, as vistas de meu coração,
Para que possa dia a dia, aquarelar os meus sonhos.


Ilha

19 maio 2007

Um comentário:

carmen fossari disse...

este poema nasceu de uma brincadeira, entre palavras e rimas, estabelecida com o poeta Menino do Montijo, portanto o poema dedico ao João Jacinto, com a amizade eterna e a bem querencia a nadar no rio das distancias.

bj

carmen