quarta-feira, fevereiro 21, 2007

ÁGORA, AGORA

ÁGORA, AGORA

Carmenluciafossari

Corpoaquecido
Esquecido do teu
Ateu, de promessas do ontem
Encosta no tempo
As asas da hora
Que pousam
Agora em
Ágora

Reúnem-se na praça
De minha memória recente
A ancestralidade daquele amor
Que esculpiu-se dos eus que
te encontraram
e te perderam
Um povo que me habita
Desde esta imemorial praça
De meus seres
Tão repleto de sentir :

Uma aresta e, reencontro
Noutra, já te escutei
Em versos, sussurros e poemas
Naquela outra, minha aresta
éramos nós
Aqui,reflexo um dançarmos
De vultos em fractais
Cujos estilhaços
Recortam tua presença
E a tua ausência

Boca tua
Tatuada em meus lábios
Que em sombra retiras meu carmim
De batons e perfumes
Voláteis dos mistérios
A seduzir-te
Eco meu de tu estares
Diante todas as portas e , janelas do meu ser
Entrando como o sol pleno da manhã
Antevendo a noite longa
E seres tu, como a lua vermelha
Que detém o amanhecer.

Agora, desde a Ágora
Onde caminham e passeiam
As personagens que me habitam
Já em caminhante
Outra viagem me espreita
E o abraço me detém
Em outros braços
Cujo amor aos poucos deposito
Aquecido da paixão
Que me derramas como
As águas caminhantes
Desde as fontes
Das antigas Ágoras
Dela os veios de meu corpo
Se retesam
E já somos fonte
De nós mesmos
No tempo que sequer
Sabemos a extensão
Que todo instante
O sentimos como
Agora.

Um comentário:

carmen fossari disse...

poema escrito numa praça , onde homenageiam Cristovão Colomo, na bela Bogotá, Colombia.
cf.