domingo, dezembro 30, 2007

INVENTÁRIO DO ANO MMVII, ILHA




INVENTÁRIO DO ANO MMVII, ILHA


CARMEN FOSSARI


PENSO O ANO QUE FINDA
INDA AGORA FOI REVEILLON
ATARDECEU E NEM SENTI O TEMPO
SENTI SIM MEU CORPO
QUE VIVEU UM RIGOROSO INVERNO
QUE MERGULHOU NO MAR DO PACÍFICO ENQUANTO
A ALMA AFOGAVA-SE DE DORES
DOS MISTÉRIOS QUE NOS TOCAM , SEM QUE OS ESPEREMOS

SEM QUE ESTEJAMOS PREPARADAS AO INUSITADO.

LEMBRO DE TODAS AS LUAS NUAS
CHEIAS
CELESTIAIS ADEJOS
DESNUDAS DO CÉU
CLARÃO PRATA
QUE ROMPERAM AS ÁGUAS DA LAGOA.
FRACTAIS ÁGUAS DE PEIXES PRATAS PULULANTES
DESVIANDO REDES
EM RENDAS PONTILHADAS DE MÃOS QUE TRACEJAM OS DESTINOS
DO MAR E DO HOMEM.
MULHERES NAS ENCONTAS DAS AREIAS,
SEGURANDO OS VENTOS ENTRE AS LINHAS
TECIDAS AOS PONTOS,
COSTURANDO DIA E NOITE OS AMANHECERES.

NÃO AS MINHAS MÃOS, OUTRAS E TANTAS,
NASCERAM AS RENDAS QUE AMO
DAS DANÇAS DE LINHAS TATEANDO TEARES
QUE TRANSMUTAM AO MÁGICO DESENHO,
QUE SE FORMAM,DELAS APENAS
AS RENDAS QUE REFLTEM A LUA
DEITANDO NA LAGOA , COSTEADA
DE MISTÉRIOS, ALGAS E CAMINHOS AO MAR.

AS PALVRAS SIM,
EU PLANTEI.
AGRICULTORA DE SÍLABAS E VERBOS
ARANDO A SEMÂNTICA TERRA MACERADA
DE MEUS EUS,
QUE FUI,
QUE SOU
QUE ME FORJO
A FOGO E MEL
E RESULTO TERNURA DA ESTRELA
QUE TUAS MÃOS ME OFERTAM.

FOTOSÍNTESES NACARAM A SEIVA
DO POEMA NÃO NASCIDO
DO VERSO QUE OUSEI
DA PALAVRA COMO UM BARCO
ONDE DEIXEI-ME A NAVEGAR NOS VENTOS

QUE BROTARAM EM MADRUGADAS SIM
E OUTRAS TAMBÉM.

PASSOU UM ANO , E PARECERIA MUITO MAIS.
AO PALCO RETORNEI ATRIZ
OUTRA EM MIM DEIXEI HABITAR
ELA A ESCRITORA DO INCONTÁVEL
DO SIMPLES , DO ABSOLUTO SER
AQUELA QUE NUNCA FICOU DIANTE DE UMA PORTA FECHADA
SEM QUE SEU PULSO CERRASSE NOS VERSOS DE ABRIR, ROMPER
RECOMEÇAR,CLARICE LISPECTOR, UMA PERSONAGEM,UMA VIDA
DÁDIVA!

UM ANO QUE PERDI PRECIOSAS CRIATURAS AO ANDAR DE CIMA
QUE SUBIRAM,
A VIZINHA ESPANHOLA EMÍLIA,
DE BRANCOS CABELOS E VERSOS
DE LORCA SIBILANTES, AO ELEVADOR COMPARTIDO,
ASCENDENDO UM SEGUNDO
A ESPANHA SAUDOSA DELA E
EM MIM AVIVADA,VIZINHA DOCE
OTILIA BELLI A MADRINHEIRA DA MINHA INFÂNCIA,
QUE AINDA PERDURA,
RUTH LAUS, TODA DE MARFIM E CRISTAIS,
POUSO DAS ARTES
RENNÉ WELLS, UM DIA ARGENTINA,
BAILARINA PRIMEIRA TEATRO COLÓN,
OUTRO DIA ESCULTORA, TODO DIA EM LUZ FAISCANDO OS
VERDES OLHOS , QUE RECORDO,
E SÉRGIO GUZMÁN,DRAMATURGO DO CHILE, QUE ANTES DE SE DESPEDIR
HONROU-ME COM SEU ÚLTIMO TEXTO,
E IMPREGNOU MEU ANO 7 DO
MISTÉRIO MAIS PROFUNDO,
O ENIGMA DA VIDA, QUE NEM A ARTE REVELA.

DEIXO PARA VCS A ROSA VERMELHA
QUE AINDA BROTA DE MEU CORAÇÃO
QUE ÀS VEZES SANGRA.

CINGREI EM RIOS DE OUTRA MARGEM ESTANDO
QUERENDO ALCANÇAR O OCEANO
TOQUEI UM DIA A BEIRA DA ESTRELA GUIA
OUTRO DIA SEGUI-A
NÃO DE A VER
MAS A ESCUTAR , CANTO ESTRELAR QUE ABRAÇA
O FILETE DE LUZ NA NOITE TORMENTOSA
QUE SE APAZIGUA DE BELEZA

REVELEI-ME EM ARTES OUTRAS ,ME OCULTEI,
VIVO DE ESTAR COM TANTOS SERES
ENCONTRAR A PONTA DO FIO
QUE ME ENLEIO, SOU BARBANTE CRU
ALMEJO O FIO DAS MEADAS DE SEDA
ATO A DESENROLAR OS NÓS,
E SINTO SER O BARBANTE
LACEANDO A PONTA DA LUA
QUE ME ENEBRIA , SEMPRE
QUE O AMOR BEIJA MEU CORPO VENTRE.

TIVE CORES, MUITAS CORES QUE AMEI,
QUE REVESTI MEU SER
MINHA CASA, MEUS DIAS.

SENTI MUITA SEDE, E DE POESIA SACIEI-ME
POETRIAS !
MÉTRICAS ,UM FIO CONDUZIU
AS PALAVRAS COMO ASAS DE LIBÉLULAS
VÔO CEGO , DE REFRATAIS MOVIMENTOS.

CAMINHOS PERCORRIDOS DE UM RIO A OUTRA MARGEM
ENCONTRO , DESENCONTRO.
INFINITOS ESTANCADOS
AMARRAS.

ABRUPTAMENTE AS VELAS
DETÉM O BARCO ,A NOITE POSOU
NA INTOLERÂNCIA SUICIDA
O SILÊNCIO ORQUESTROU UM OUTRO O TEMPO DE VIVER.

II

DEIXEI A TERNURA POR VEZES ESCONDIDA
E NÃO GOSTEI DA IMPACIÊNCIA, INTOLERÂNCIA,
QUE TAMBÉM O FUI,
MAS POR SEGUNDOS, QUE MEU SER SEMPRE
ESQUECE BREVE, AS QUE RECEBO, AS QUE PROVOCO
RAJADAS DE TEMPESTADES NASCIDAS DE MEU SER INQUIETO.

ESTIVE NO DESERTO , SEM PASSAPORTE DE EU MESMA
COM A BÚSSOLA ENTERRADA, JUNTO AOS MEUS PÉS
ESCALDANTES AREIAS EM DUNAS DE ESTAR AOS VENTOS FORTES
E CHOREI, COMPULSIVAMENTE AS DORES DO MUNDO
DO QUE NÃO SEI,DO QUE NÃO ALCANCEI, DO QUE AINDA O DESEJO!
DE TODOS OS SONHOS QUE CONSTRUI,
OS QUE DILUIRAM-SE AOS DIAS PASSADOS, OS QUE A REALIDADE
PRESENTEOU-ME.

III

E ME VEJO A TRANSPASSAR AO OUTRO ANO,
QUE SERÁ NOVO.
RECORDO DOS PASSOS ENTRE FLORES E BEIJA FLORES
ENTRE LUAS VERMELHAS E ETERNIDADES BREVES
ALEGRIAS, UM ANO DE SETE FACES, SETE LUAS
SETE ETERNIDADES EM CADA MOMENTO DE FELICIDADE.

E A ESPERANÇA QUE A TUDO ENCOBRE
ME DESNUDA , SER MUTÁVEL, QUE RECOMEÇO.

ANO QUE CAMINHAS AO MEU ENCONTRO,
E QUE O ABRAÇAREI INTEIRA
SÊ BEJNVINDO 2008.
BEIJO O MISTÉRIO QUE NOS ENVOLVE.

CARMENFOSSARI, ILHA 30 DE JANEIRO 2007

Inventário ,dedico ao poeta JoãO Jacinto,a quem denomino MENINO DO MONTIJO, CF.




.

3 comentários:

joão jacinto & poemas disse...

O tempo
que me encurta a vida
enquanto corre
e tanto acontece
ao ritmo do coração.
Ele constante,
nunca me esquece,
eu é que me iludo.

O tempo abraça-me
e eu sempre
a querer fugir-lhe.

joão jacinto

Felicito-a pelo belo poema e agradeço-lhe a dedicatória.
Desejo-lhe um Próspero Dois Mil e Oito!

Abraço poema,

jj

carmen fossari disse...

MENINO DO MONTIJO

SEUS POEMAS TRAZEM
O AMAGO DAS ESSENCIAS , CUJOS COTIDIANOS OCLUIMOS EM SOBREVIVER
VESTIDOS DE FELICIDADES OU QUE OS SEJAM MOMENTOS DE OUTROS MATIZES DE SENTIR,
SEU TEMPO, AO TEMPO DO POEMA,
SACRALIZA NOSSA INGENUA E DOCE
ODE QUE O CELEBRAMOS, COMO DIZES
A FUGIR TENTAMOS...MAS AO DESTINO O ABRAÇO DETÉM, O QUE CONTÉM O TEMPO SENÃO TODAS AS NOSSAS ARESTAS DE SER E ESTAR?
O QUE PERPASSOU O TEMPO,O QUE ENCONTRA COM O TEMPO?
SÓ O TEMPO É SEU PRÓPRIO MISTÉRIO E REFÚGIO...

DOIS MIL E OITO INFINITO E AZUL,
ABRAÇO POEMA, POESIA
Carmen, desde a Ilha

joão jacinto & poemas disse...

Votos de poesia para Dois Mil e Oito!

Felicidades!

Abraço poema,

jj